Entrevista Des. Grijalbo Coutinho do TRT 10 sobre reformas e direitos dos trabalhadores

Autor: Redação Sinttel
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Brasília - Na sexta-feira (8/2), o desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região Grijalbo Fernandes Coutinho foi entrevistado na Rádio Sinttel-DF. Durante o programa, o magistrado falou de terceirização e trabalho intermitente, reforma da Previdência e fez uma análise do que aconteceu no país após um ano da reforma trabalhista em vigor. “A tônica desse projeto de reforma trabalhista que virou lei foi sempre no sentido de diminuir a proteção ao trabalho e ao trabalhador, foi uma proposta muito clara de dar aos patrões e ao capital um poder maior e ao mesmo tempo permitir com que se ampliasse as margens de lucro do sistema capitalista,” afirmou Grijalbo.

Na entrevista, o desembargador desmontou o principal argumento dos defensores da reforma trabalhista no Congresso Nacional, de que a reforma iria garantir a geração de mais empregos no país. “Não gerou empregos. Todos os empregos criados foram para a mais absoluta informalidade, ou seja, aumentando o quadro de tragédia social no Brasil”, Enfatizou. Ainda de acordo com o desembargador, a reforma tirou direitos e jogou milhões de brasileiros para a informalidade sem direito a férias e 13º, que serão vítimas de acidentes de trabalho, bem como doenças e outras mazelas que ocorrem nas relações de trabalho.

Quando a pergunta foi sobre o acesso dos trabalhadores à Justiça do Trabalho, o desembargador foi enfático ao afirmar que um dos objetivos da reforma trabalhista foi exatamente impedir o acesso do trabalhador à Justiça. “É praticamente inviabiliza o acesso do trabalhador à Justiça quando diz, por exemplo, que mesmo ele sendo beneficiado da justiça gratuita ou não tenha bens materiais ele poderá responder por honorários e custas processuais”, desabafou. De fato, a situação é tão perversa que ao buscar o Poder Judiciário o trabalhador corre o risco de ficar com uma dívida para pagar no futuro.

A exploração nos call center e as péssimas condições de trabalho praticadas nesses locais foi comentada pelo desembargador, que enfatizou o alto índice de adoecimento. “É um dos setores que mais cresceram, que é basicamente de trabalhadores terceirizados onde se constata uma precariedade e opressão que tem gerado adoecimentos e acidentes de trabalho”, explicou. Para o Sinttel-DF, a entrevista com o desembargador Grijalbo Coutinho foi bastante esclarecedora e de fácil compreensão, uma vez que os assuntos abordados têm impactos na vida dos trabalhadores e da sociedade brasileira. A diretoria do sindicato agradece a participação do desembargador Grijalbo Coutinho na Rádio Sinttel-DF.

Data

11/02/2019

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